quarta-feira, 7 de maio de 2008

Feminino.

Continuando a prosa das representações, estive pensando em como é interessante o que se construiu em torno das identidades. Sejam elas de gênero, etnia, sexualidade... Não importa! Há senso comum para qualquer grupo reconhecido socialmente, de forma hegemônica ou não. Recentemente, vivi uma experiência bastante incômoda ao tomar conhecimento, por meio de terceiros, da mentalidade de um indivíduo (quero indeterminar o gênero) que se apresenta como jovem, moderno, libertário e mais todos esses adjetivos que conferem ares de diferenciação a quem os adere, bem como os insere em um campo imaginário específico de pensamento e atuação. Sem detalhes sobre a origem do lamentável conceito de feminilidade (porque era essa a temática), não só me entristece como inspira atitudes reivindicatórias saber que resiste em meu meio (indireto) social e cultural tipos de abordagens tão restritas do que seria um ideal de representação do feminino. Acreditar que ele exista é já uma arrogância, para não dizer de um etnocentrismo compulsório, o que me leva a criar analogias com práticas de caráter colonizador dos séculos XV e XVI. É vergonhoso conhecer de alguém que dispõe de tantos instrumentos de informação e de entendimento retórico, e, desse modo, de um leque ilimitado de possibilidades interpretatativas, um posicionamento tão restrito, circunscrito por uma abordagem já superada por anos de atuação política feminista em favor da desconstrução misógina do que se entende por ser mulher. A presença ou ausência de signos construídos historicamente serve ainda hoje como critério de diferenciação... Realmente lamentável.

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