domingo, 20 de junho de 2010

Pausa.

Momento oportuno para uma pausa com o blog. Mudança de vida, de rumos... O retorno virá trazendo nova realidade.
Até breve!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mulher em propaganda de cerveja.

Não é novidade a presença da mulher na propaganda nacional de cervejas. Antarctica e Brahma foram duas das primeiras a utilizar esse artifício de venda, aliando o corpo, a expressividade feminina e alguns outros recursos semióticos a suas marcas. Nas primeiras décadas do século XX, em um contexto de “manutenção da virtude”, alguns anúncios serviram também como importantes reforços à construção de uma representação restrita à esfera doméstica.

Observa-se, portanto, um cenário conflituoso. Uma cultura que concebe a castração das liberdades individuais – pela conservação dos valores – e, ao mesmo tempo, a exposição de corpos femininos nos rótulos das garrafas e nos jornais. Segundo Foucault, as identidades são construídas no interior das relações de poder. Os discursos proferidos por meio de apropriações mercadológicas da imagem feminina reificam a manutenção de uma condição ainda suplementar em relação ao gênero oposto.

Na década de noventa, as campanhas publicitárias exploraram com maior liberdade a sensualidade feminina. Antarctica, Skol, Brahma, Kaiser, entre outras, mercantilizaram esses corpos, incitando especialmente o público adolescente (faixa etária intensamente estimulada por imagens) e reforçando o estereótipo de beleza branca, magra e jovem.

As agências de publicidade sempre associaram o gênero masculino ao público consumidor de cerveja, tomando a mulher como recurso de venda. Após manifestações lideradas por defensores dos direitos da mulher, algumas agências experimentaram caminhos alternativos para atrair a atenção e a fidelização do consumidor. Investiram na imagem de jogadores de futebol, bichos da fauna brasileira, bordões, mas sem sucesso. O que nos leva a crer na existência de um condicionamento masculino a elementos semióticos de apelo sexual. Signos que remetam ao prazer parecem ser o código de acesso das marcas ao seu público-alvo.

A Skol levou ao ar a cena de um casamento. O noivo, no altar, declara fidelidade à noiva caso esta mantenha a silhueta esbelta e não envelheça, como sua mãe (já uma senhora, acima do peso). Jura fidelidade incondicional apenas à cerveja. Um comercial simples e curto, contendo duas mensagens relevantes: reforço ao protótipo de beleza feminina – mulher branca, magra, jovem e de seios volumosos – e uma abordagem bem humorada da infidelidade masculina.

Ao longo dos mais de cem anos de propaganda no país, nota-se uma apropriação do corpo feminino com fins utilitários e discursos de incentivo à manutenção de um comportamento submisso. A incorporação destes conceitos tem forte efeito sobre o imaginário comum, em especial, sobre grupos sociais em fase de formação. O discurso envolve-se na constituição de todas as dimensões da estrutura social, moldando-o e restringindo-o. Ele é uma prática de representação e, principalmente, de significação do mundo. O não-dito, quando logrado por cenas de humor, é capaz de adquirir maior eficácia ideológica, pois torna leves e aparentemente inofensivas as mensagens veiculadas.

É preciso estar atento ao que a publicidade fornece em termos de representação. Sem extremismos, reconhecer o lugar do humor e da fantasia, educando o olhar. A crítica deve ser feita indiscriminadamente, sobretudo aos estímulos midiáticos, sejam eles imagens, slogans ou campanhas publicitárias que sugiram a que lugares pertence um determinado grupo social e de quem são as falas privilegiadas. A liberdade criativa deve ser preservada, mas assédio moral é crime. O sexismo é um ato de violência nem sempre visível e que se legitima pela falta de atenção dada ao poder dos signos de representação de gênero.

E é sempre bom lembrar...

Os artigos 19 e 20 do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária do CONAR prevêem, respectivamente:

“Toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade do lar, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar”

“Nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação social, racial, política, religiosa ou de nacionalidade”

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Não fui eu que mandei chover!"



A charge, como a rádio CBN chama essas pequenas reportagens, explora com deboche o cinismo do prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira.
Já em seu quarto mandato, o político compara a tragédia ocorrida no Rio e em Niterói com as do Haiti e da Indonésia. Desastres naturais, cuja responsabilidade não teria sido atribuída a suas respectivas figuras de autoridade política, como, segundo ele, “indevidamente” vem acontecendo por aqui. Um pobre filantropo açoitado pela população e pela mídia, tiranos insensíveis e sem compaixão.

Devemos considerar, portanto, que o Cristo em questão não tinha conhecimento da existência e funcionamento de um lixão no terreno que, posteriormente, deu lugar ao Morro do Bumba. Certamente não chegaram as informações enviadas por especialistas da UFF, por integrantes de grupos ambientalistas, associações de moradores ou mesmo pelos funcionários contratados pela própria prefeitura para oferecer a essa comunidade saneamento básico, pavimentação e serviços de saúde, como o Médico da Família. O prefeito assume com orgulho ter investido recursos públicos no local, para que os moradores dispusessem de meios dignos de moradia, bem como havia feito nas demais regiões da cidade, já eleita a 4ª maior em qualidade de vida no país.

O que aconteceu recentemente no Morro do Bumba foi um caso típico de descaso do poder público, que, para promover ações de marketing eleitoral, aprovou a concessão de subsídios que acabaram por legitimar a permanência e o crescimento de uma comunidade erguida sobre uma bomba relógio. O gás metano liberado pelo lixo em decomposição acumulado naquele solo provoca fumaça e fogo, que talvez já estivessem abafados pela terra sobreposta e pelas construções improvisadas. Mas, curiosamente, foi a água e não o fogo que detonou a bomba. O prefeito se defende, incriminando a natureza pelo desastre. “Não fui eu que mandei chover aquela quantidade de água!”. “Não houve culpados pelo terremoto no Haiti”. “Ninguém poderia prever o tsunami na Indonésia”. Quem alertaria a população acerca das enormes ondas que se aproximavam do litoral asiático? Talvez Deus, por intermédio do Papa. Quem alertaria a população do morro do Bumba sobre os riscos de sua ocupação? Hinri Cristo, certamente. Cada um concede autoridade suprema a quem lhe convém. Desde as Diretas nenhum líder nesse país ascendeu pela força. “A propaganda é alma do negócio”, nos ensinam os comerciantes.

Jorge Roberto Silveira ignora que, enquanto líder municipal de governo, sua responsabilidade era prover recursos para que o processo de desalojamento daquelas famílias fosse realizado. Não é simples convencer famílias a abandonar seus lares, conquistados com anos de trabalho duro. Até mesmo após os desabamentos, muitos permanecem em casas condenadas pela defesa civil. (Por não terem para onde ir ou para vigiar seus pertences, ameaçados por saqueadores). Sabemos que para ter sucesso, são necessárias muitas tentativas e garantias efetivas a quem pode não ter mais tempo de vida útil para acumular o mesmo montante que investiu na casa condenada. “Mas quem manda ocupar áreas de risco? Será que essas pessoas, muitas ainda soterradas sob a lama e o lixo, não foram informadas sobre os perigos? Bem feito! Irresponsáveis!” - é o pensamento que ronda a mente de muitos. Quem não é assistido pelo poder público e não nasceu em berço de ouro vive como pode. Niterói é uma cidade maravilhosa, com lindas praias, bairros luxuosos, paisagens incríveis, adornadas pelas curvas inconfundíveis de Niemeyer, uma das melhores Universidades do Brasil, fortes e patrimônios tombados que contam parte da história desse país. Uma elite que desfruta de tudo isso e muita pobreza escondida no alto dos morros.

A Câmara Municipal de Niterói propôs a abertura da CPI do Bumba, para apurar as causas da tragédia e apontar culpados. São necessárias 6 assinaturas para que o projeto se realize, mas, dos 18 parlamentares, 16 são governistas. Entre os dois únicos vereadores favoráveis, está Waldeck Carneiro, do PT, que lamenta pela falta de pressão popular sobre as autoridades. Enquanto o presidente da Câmara Paulo Bagueira (PPS) declara não ser relevante nesse momento encontrar culpados, Carneiro rebate, pontuando que os vereadores não podem se omitir do papel fiscalizador. “Há uma diretriz do governo para diluir a responsabilidade.”. E, como é de praxe nesse país, é grande a possibilidade do caso do lixão terminar antes do fim, sem culpados. A memória curta dos eleitores, assim como as mentiras contadas por Jorge Roberto Silveira - que insultam a nossa inteligência -, talvez estendam seu mandato por mais alguns anos. É o momento de ouvirmos todo o potencial apelativo de Sérgio Cabral, o mestre em discursos de efeito, e de Eduardo Paes, discípulo do sempre preciso César Maia.

Pobre do Silveira, que não aprendeu com os bons.

Boca fechada não entra mosquito e uma boa assessoria faz milagres nesse país. O PT que o diga!

Lula não sabia do mensalão, Silveira não foi avisado sobre o lixão... Que judiação fazemos com nossos políticos, sempre tratados como maridos traídos.

Abaixo segue o link com a lista de vereadores da Câmara de Niterói, com nome completo, e-mail e os telefones de seus gabinetes, e o Fale conosco. Relembrando, apenas dois deles aprovam a CPI do Bumba: Waldeck Carneiro (PT) e Gezivaldo de Freitas, o Renatinho do PSOL.


Site da Câmara de vereadores de Niterói:
http://camaraniteroi.rj.gov.br/vereadores/
Fale conosco:
http://camaraniteroi.rj.gov.br/fale-conosco/

sábado, 23 de janeiro de 2010

Farsa Católica.

Um dia desses assisti a uma matéria, veiculada por um telejornal de grande audiência no país, que merece ponderações. Já acostumada a receber da Igreja Católica declarações públicas cada dia mais constrangedoras, e ditas num tom sempre muito conclusivo, embora ofendida, não reagi com espanto.

O atual pontífice Bento XVI, eleito no ano de 2005, vem sofrendo duras acusações sobre sua omissão em uma série de casos de pedofilia ocorridos dentro da Igreja enquanto ocupava o cargo de Arcebispo de Munique e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano. As imprensas alemã e americana estão empenhadas no levantamento de denúncias que comprovem o silêncio do Papa diante dos abusos praticados contra crianças por autoridades da Igreja.

As informações, evidentemente, estão sendo negadas e, à revelia de alguns, a Igreja Católica mantém-se um dos aparelhos de poder mais influentes em nossa sociedade. Embora destituídos de um poder formal, a Igreja nunca deixou de ser um importante instrumento de produção e disseminação de valores. Seus desígnios assumem uma posição de destaque para o controle social e será sempre razão de muita polêmica questionar falhas em seu sistema.

Na matéria noticiada ontem pela tevê, o Chefe de Governo do Vaticano, Papa Bento XVI, declarou lamentar cada um dos casos de abuso listados nas investigações e acrescentou um dado bastante curioso: a razão de terem acontecido não foi o celibato dos padres, mas a homossexualidade. Pois bem...

Toda instituição depende de normas e diretrizes para ser funcional, o que equivale a dizer que, para efetuar uma contraposição a qualquer dogma instituído, é necessária uma revisão abrangente em suas bases ideológicas. Antes de questionarmos o veto da Igreja ao uso de métodos contraceptivos, por exemplo, é preciso trazer à pauta o valor reprodutivo do sexo (que ainda vigora na visão Católica). Da mesma forma, antes de atacar a postura neonazista do Papa sobre a questão homossexual, é necessário propor uma reestruturação da cartilha cristã.

Religiões fazem uso de referências supranaturais para dar consistência aos seus desígnios. Nenhuma linhagem real foi eleita democraticamente. A autoridade do Rei era legítima por ser este um enviado de Deus à terra. Me pergunto: por que razão uma república presidencialista “laica” como o Brasil, erguida sob influências étnicas, religiosas e culturais tão diversas, acataria tão veementemente os desígnios de uma autoridade aleatória, que procede apenas historicamente, cujo alcance atinge a mídia, a política e a cultura? O que mais me intriga não são os usos dos discursos impressos no livro sagrado, mas o leitor consciente, que abre mão da autonomia dedutiva por uma reprodução automatizada.

O homem que ocupa o lugar de maior destaque nessa Instituição religiosa é também um chefe de estado, com poderes simbólicos e administrativos. A liberdade com que manifesta e defende a soberania do seu povo é um ato de etnocentrismo grave, que nos alerta para a urgência de uma revisão da laicidade de nosso sistema político. O senso comum é o terreno por onde circulam ideias que preexistem à nossa existência e consciência, levando à marginalização tudo aquilo que não toma como legítimo os imperativos deste modelo secular de conduta.

Me pergunto, retomando a discussão sobre os casos de pedofilia na Igreja: e quanto aos abusos cometidos contra meninas?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Do que vive o homem?


"Não nos será outorgada a liberdade externa mais do que na medida exata do que tenhamos sabido, num momento determinado, desenvolver nossa liberdade interna."
[Ghandi]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sobre a fragilidade dos laços humanos.


Franz Kafka observou que somos duplamente distintos de Deus. Tendo comido da árvore do bem e do mal, nós nos distinguimos Dele, enquanto o fato de não termos comido da árvore da vida O distingue de nós. Ele (a eternidade, na qual se abraçam todos os seres e seus feitos, em que tudo que pode ser é, e tudo que pode acontecer acontece) está próximo de nós. Fadado a permanecer secreto – eternamente além de nossa compreensão. Mas sabemos disso, o que não nos permite ter sossego. Desde a fracassada tentativa de erigir a Torre de Babel, não podemos deixar de tentar e errar e fracassar e tentar novamente.

 Tentar o quê? Rejeitar essa distinção, rejeitar a negação do direito aos frutos da árvore da vida. Prosseguir tentando e fracassar nas tentativas é humano, demasiadamente humano. Se a alteridade é, segundo Levinas, o derradeiro mistério, o absolutamente desconhecido e o totalmente impenetrável, isso não pode ser uma ofensa e um desafio – precisamente por ser divino: barrando o acesso, negando o ingresso, inatingível e eternamente além do nosso alcance. Mas (como Rozenberg insiste em nos lembrar) "o ilimitado pode ser alcançado por meio da organização. As coisas mais elevadas não podem ser planejadas. Imediatez é tudo para elas".

Imediatez para quê? "O discurso é amarrado ao tempo e por ele nutrido... Não sabe de antemão onde vai terminar. Segue o exemplo de outros. De fato, vive em virtude da vida de outro... Na conversa real, alguma coisa acontece." Rozenzweig explica quem é esse "outro", por cuja vida vive o discurso de modo a que alguma coisa possa acontecer na conversa: esse outro "é sempre um alguém bem definido" que não tem "apenas ouvidos, como ‘todo o mundo’, mas também uma boca".

 É exatamente isso que faz o amor: destaca um outro de "todo o mundo", e por meio desse ato remodela "um" outro transformando-o num "alguém bem definido", dotado de uma boca que se pode ouvir e com quem é possível conversar de modo a que alguma coisa seja capaz de acontecer.

E o que seria essa "alguma coisa"? Amar significa manter a resposta pendente ou evitar fazer a pergunta. Transformar um outro num alguém definido significa tornar indefinido o futuro. Concordar com uma vida vivida, da concepção ao desaparecimento, no único local reservado aos seres humanos: aquela vaga extensão entre a finitude de seus feitos e a infinidade de seus objetivos e conseqüências.


Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos - Zygmunt Bauman.

 

Trajes.

"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."
Fernando Pessoa.


Para o romantismo extremo, não há exatamente “o” ser amado. Aquela criatura dotada de uma aura singular, da qual desejamos asseio e encanto e de quem esperamos o retorno de nossas projeções. Há um ser humano, falho e incompleto, sobre o qual, de maneira arrogante, cobrimos o corpo para fazer dele um escopo de nossa ilusão de amante, por temermos a aparência ou não darmos crédito à validade de sua própria natureza. Envelhecer sem exercitar a generosidade, a tolerância, a renúncia às próprias convicções em prol de algo maior é assumir o fracasso de não ter-se doado verdadeiramente. A espera é dolorosa e não há remédio senão a presença. Fernando Pessoa fala do amor romântico como um traje, com o qual vestimos o ser amado para dar a ele a forma ideal do nosso amor. Mas, sem surpresas, a cada um cabe um molde, que precisamos ajustar de tempos em tempos, conforme nos abrimos às mudanças.

O tempo é um grande mistério. Qual a referência da espera? Talvez o próprio amor ou, melhor dizendo, a durabilidade do traje. Quando este se esfacela, segundo Pessoa, surge o corpo real. E nem sempre é aprazível o que vemos desnudo, afinal, reservamos aos bastidores toda a intimidade que não tivemos tempo para retocar.

Mas o amor é o mais legítimo dos sentimentos. Aquele que muito suporta, muito pondera e muito espera. Aquela pulsão que faz com que duas pessoas se disponham e renunciem. O termo romântico, tal como foi concebido pela estética oitocentista, pressupõe um tipo de amor que se põe à prova sem exigir retorno. Um amor que contempla omisso e que é pleno da existência do ser amado, sem esperar dele conhecimento ou reciprocidade. Deste, o literário, pouco sobrevive. É o amor idealizado, solitário, voltado para si e que jamais filará concretude, pois é o avesso da objetividade.

Será, então, possível conceber o amor sem os trajes? Poderia a criatura amada resguardar em si toda a beleza para a qual cerramos os olhos, burlados pelos ideais que, por hábito, forjamos para tentar torná-la mais próxima do nosso desejo? Seria um amor sem provas? Exigiria maior coragem, certamente. E um acordo arriscado entre pares que se reconheçam e acreditem que desta entrega retornem criaturas modificadas. Para que funcione o proposto, precisariam saber-se incomuns diante do resto. Exige que administrem os medos e as vaidades para revelarem-se ao outro. É preciso desprendimento. Estar pronto para isso é entender, inclusive, que o tempo é um grande equívoco, já que amor não comportará a intransigência. Enfeitar alegorias mortas é dispensar o novo, fechar-se em si, retornando ao platonismo do amor singular. E o que há de mais ultrapassado que o passado?