segunda-feira, 19 de maio de 2008

Quereres.


Não é pecado resgatar de si alguma magnitude. Vagar às vezes pode ser útil às próprias indagações. Certa vez quis sair de um lugar às pressas e permaneci sentada com cara de nuvem! Nada mais apropriado.
A intimidação é o que leva alguém a agir com soberba. O avesso sempre se aplica melhor diante dos impulsos! Sabe aquela do Caetano, “O quereres”? Genial!



Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Como faz?

Pois é... então...
Como faz?
Sacudir a cabeça não resolve. Dar voltas em torno de mim mesma também. Chiclete até ajuda. Bom mesmo era aquele filme... sabe? Com aquele ator... que fez o... o... Mas a cena era ótima!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Alegorias.

“De tanto pensar, fatigou-lhe o espírito. Exauriu-se. Comprometeu o potencial crítico por um momento e nada além de reflexos lhe ocorriam. Poderia sentar-se por horas naqueles corredores obscenos e os passantes sequer a ouviriam indagar sobre a poeira que lhe impregnava a face. Era a mais incerta e retida figura de sapatos rasteiros daqueles alegóricos confins. Movia-se para convencer-se de que ainda vivia. Tudo lhe parecia tão fugidio.”

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Feminino.

Continuando a prosa das representações, estive pensando em como é interessante o que se construiu em torno das identidades. Sejam elas de gênero, etnia, sexualidade... Não importa! Há senso comum para qualquer grupo reconhecido socialmente, de forma hegemônica ou não. Recentemente, vivi uma experiência bastante incômoda ao tomar conhecimento, por meio de terceiros, da mentalidade de um indivíduo (quero indeterminar o gênero) que se apresenta como jovem, moderno, libertário e mais todos esses adjetivos que conferem ares de diferenciação a quem os adere, bem como os insere em um campo imaginário específico de pensamento e atuação. Sem detalhes sobre a origem do lamentável conceito de feminilidade (porque era essa a temática), não só me entristece como inspira atitudes reivindicatórias saber que resiste em meu meio (indireto) social e cultural tipos de abordagens tão restritas do que seria um ideal de representação do feminino. Acreditar que ele exista é já uma arrogância, para não dizer de um etnocentrismo compulsório, o que me leva a criar analogias com práticas de caráter colonizador dos séculos XV e XVI. É vergonhoso conhecer de alguém que dispõe de tantos instrumentos de informação e de entendimento retórico, e, desse modo, de um leque ilimitado de possibilidades interpretatativas, um posicionamento tão restrito, circunscrito por uma abordagem já superada por anos de atuação política feminista em favor da desconstrução misógina do que se entende por ser mulher. A presença ou ausência de signos construídos historicamente serve ainda hoje como critério de diferenciação... Realmente lamentável.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Humores.

Ainda me surpreendo com a capacidade de superação humana. É fascinante como potencializamos ânsias, desejos e tudo nos parece tão imperioso. E é deveras frustrante o momento em que a pessoa se dá conta de que não passavam de humores.

Eu adoro pensar que tudo se explica pelos humores. Uma vez ouvi algo que esclareceu muitas dúvidas na minha vida. “Hiperativo, devassa! São humores.”. O humor que muda logo de manhã quando me vejo diante de uma cara desfigurada. Ou de chegar à própria casa dando-me conta de como fui covarde horas atrás. Existe uma escala de limites extremos. Você atribui os valores. Ela vai crescendo, alimentada por você, até atingir um ponto crítico. Nele você tem grande dificuldade em avaliar suas vontades. Fica confusa. Entende as coisas com pouca sensatez, embora se julgue um ser humano racional. Saído disso, enfrenta quedas consecutivas nos reflexos. Uma hora você já não somatiza aquelas informações. Elas te incomodam. Cansaram sua sensibilidade. Os humores agora estão estáveis. Sua voz já não muda diante do meio que se comunicava contigo. Já é capaz de provar das vivências com alguma integridade. Então se recobre de críticas e convence-se do quão vulnerável é. Sem grandes cobranças, afinal, concordamos que não há loucura no encantamento. A passionalidade é apenas um dos humores. E por que não pensar então na legitimidade das figuras magnéticas? Existe sem dúvidas uma projeção idealizada de si naquelas personagens. Goffman muito bem traduz as peripécias humanas como práticas deliberadas de representação, onde escondemos e expomos o que nos é conveniente. Representamos papéis o tempo inteiro, inclusive para nós mesmos. Quem nunca se vestiu ou portou para convencer que pertence a um ou outro grupo social? Hipocrisia negar a necessidade humana de se autoafirmar diante dos outros. O duro é aceitar que foi enganado e induzido a desejar um mero produto social, até o momento sem grande validade para sua vida ou de fato munido daquela aura fascinante que só as essências resguardam. Os humores? Mudam. E você, eu, como o sujeitos sociais que somos, acreditamos neles.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Primeiro.


Estranho como de uma hora para outra alguém resolve passar da descrição convicta para a exposição deliberada. Essa prática peseudointelectual sempre me pareceu bem mais uma forma egocêntrica de atribuir um lugar privilegiado de fala a um indivíduo qualquer que propriamente um espaço reservado ao exercício da escrita confessória. Mas como hábitos excêntricos me soam favoravelmente, resolvi dar asas ao imaginário eletrônico e me comprometer com esse novo desafio de expor a la vonté o que me ocorrer de válido para partilhar. Aliás, atividade que poupa os ouvidos alheios. Não sei precisar o que motivou a criação do blog, ou que combinação de fatores culminou na minha entrada no google à procura de informações sobre como fazê-lo, mas estou curtindo bastante a idéia de me fazer entender um pouco além das aparências. Tenho mesmo sentido certa urgência em mudar a rotina.

Bem, sem delongas, depois de um dia produtivo de conversa com minha querida orientadora e da inclusão de um curioso neologismo ao meu vocabulário, nascido da reunião casual de pessoas queridas no calçadão do Iacs, onde nos ativemos a identificar que tipo de criaturas mais se adequariam ao termo “robustosas” (e vale dizer: foram poucas), novamente estou aqui, frente ao meu computador recém conectado à rede, para prosear um pouco. Ah, sobre o título do blog, nada me ocorreu de mais adequado que a célebre frase da minha sobrinha de seis anos tirando onda com minha cara: “Sua Carlota!”.

Sejam bem vindos!