segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Andale! Andale!

Há tempos não me sento em minha confortável cadeira giratória disposta a uma de minhas indispensáveis indagações existenciais – motivada por algum desconforto momentâneo ou pelo mais fortuito ato descritivo (leia-se: falta do que fazer).
Como pessoa avessa a rotinas, e contraditória por excelência, decidi escrever este post, tantos meses após o último, da sala de número 3257, de uma Universidade cujo nome não me recordo agora, mas de sobrenome Motta (com dois tês, reparem), onde iniciarei em algumas dezenas de minutos uma prova de motivo público. (já abdiquei dos períodos curtos – sou uma deficiente cognitiva).

Como de costume, em ocasiões como esta, estou calma. Minha única preocupação, confesso, é a fiscal de sala a postos à porta, à minha esquerda, que possivelmente não deu vistas à minha atividade manual, tendo como suporte um caderno, sobre minha folha de respostas. Algo me diz que não a agradaria conhecer tal fato (seria talvez por uma das disposições mais ordinárias de qualquer concurso de que não se deve portar objetos sobre a mesa?). A índole de um candidato, que concorre entre outros milhares de cérebros pagantes, deve sim ser questionada até prove ele o contrário. Cada um sabe a fundura do bolso que tem. Alguns não partilham da periclitante (palavra engraçada) condição de vida de um brasileiro comum, nível médio/superior, achacado de todas as formas por IPVAs, ICMSs, assinaturas, planos, seguros e flanelinhas folgados.

A expectativa é a mesma: 1 vaga, entre tão escassas ofertas a uma massa desejosa.
A essa altura, meu palpite é que a fiscal de sala já reparou minha movimentação ou ao menos meus olhos, fixados em algo na mesa. Talvez pense: “deixe a pobre moça, que logo iniciará longos momentos de intensa agonia". E não é que acabamos de ser interrompidos por ela? Visivelmente desconcertada por falar a estranhos, anunciou algumas trivialidades acerca da prova – inclusive a terminante proibição da permanência de objetos que não sejam a caneta de carga preta e corpo translúcido, a prova e o cartão de respostas, naturalmente. É novidade para mim que não seja-nos permitido portar objetos metálicos em provas, nem mesmo moedas - embora, para utilizar os sanitários, não sejamos poupados do constrangimento da abordagem de indivíduos munidos daqueles aparelhinhos detectores, que nos arrastam entre as pernas.

Devo encerrar por aqui. A agitação já anuncia que é iminente o tiro de largada. Impeliram-nos a lacrar também os relógios em saquinhos plásticos, pelas mesmas razões das pobres moedas.
Andale! Andale!
E seja o que Deus quiser!

Um comentário:

VIRTUOSE - SOLUÇÕES EM COMUNICAÇÃO disse...

É o tal do "concurso", da afluência de pessoas ao mesmo lugar, da concorrência... Cada um, um universo repleto de experiências, todas filtradas por um padrão quase nunca tão amplo e quase sempre tão impotente diante das múltiplas inteligências...