Por que constituir-se em totalidade se somos essencialmente fragmentados? Peças móveis e discursivamente inverídicas, dotadas de uma potencialidade imanente (ou não) de caracterizar-nos enquanto espécie única. Porém, se múltiplos, estendemos o horizonte conotativo de representações identitárias ao limite do imaginário comum. Para mim, é clara a manuseabilidade dos regimes visuais e comportamentais a fim de uma real amplitude das subjetividades. Consumimo-nos enquanto indivíduos e pomo-nos ao deleite do outro, que faz disso o que bem decorrer de sua experiência e vontade. Freud afirma que a representação deve ser entendida como uma construção que dá ao mundo e ao próprio sujeito um sentido, colorindo-os com significações diversas, sem que nenhuma possa ser apontada como verdadeira. Se nenhuma representação ou, eu diria, projeção do ausente, é dotada de verdade, a realidade consiste em quê, afinal? De que essência falamos se como sujeitos somos atores em todo o tempo? O mais certo é que nos faltam recursos emocionais para compreender a magnitude e os efeitos de uma escrita qualquer, posto que "não há como definir um sujeito como consciência de si", como bem disse Lacan. Representemos! Ora sou eu, ora sou o outro. Este, “o lugar em que se situa a cadeia significante que comanda tudo o que vai poder presentificar-se do sujeito”. Nada ou bem pouco, para não me apontarem apocalíptica, há de real, porque o signo é arbitrário. É assustador!
Um comentário:
Você é ótima, menina!! rsrs
Queria eu conseguir voltar a discutir comigo mesma dessa maneira...
Bjoooo
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